domingo, 18 de dezembro de 2011

MEIO AMBIENTE X QUALIDADE DE VIDA - PARTE II

APRESENTAÇÃO

Por Josemar Dórea

Crescentemente, lemos na mídia várias manchetes de animais selvagens encontrados nas ruas e casas da zona urbana. Onças, cobras, macacos e até ursos são figuras costumeiras nos quintais das residências. Isto reflete que estamos destruindo o habitat desses animais que vão buscar alimentos e abrigos na cozinha de nossas casas.

O problema são os animais que mal podemos ver como os insetos, que transmitem ao homem várias doenças. Esta abordagem foi o principal assunto do segundo encontro do tema Meio Ambiente x Qualidade de vida. Jaciene Santos falou sobre a relação dessas doenças com a degradação ao Meio Ambiente.

O homem precisa entender que a Natureza é soberana e tudo que fizemos de mal para ela nos retorna e na maioria das vezes de forma irreversível.

Algumas Doenças Transmitidas por Vetores

Por Jaciene Santos

1. Leishmaniose

A leishmaniose tegumentar americana (Leishmania braziliensis), também denominada de espúndia ou úlcera de Bauru, é encontrada desde o México até a Argentina, geralmente em áreas florestais. No Brasil, tomou o nome de úlcera de Bauru devido à freqüência com que era encontrada nessa região paulista. Normalmente não leva o paciente à morte, mas, devido às graves lesões cutâneas e orofaríngeas, pode dificultar ou impedir a alimentação do paciente, diminuindo a sua capacidade de trabalho e favorecendo o aparecimento de outras doenças, às vezes fatais.

Transmissão – A transmissão conhecida é pela picada de insetos fêmeas do gênero Lutzomyia. Ao exercer o hematofagismo ela inocula as formas promastígota.

Locomoção – As formas promastígota são as que têm movimento ativo, deslocando-se na direção do flagelo (extremidade anterior do parasito); as formas amastígotas são praticamente imóveis.

Patogenia – No local da picada, as formas promastígota invadem as células do SER. Inicialmente nota-se hiperemia, com nódulo ou vesícula central, geralmente pruriginoso. Pode permanecer estável ou aumentar de tamanho, formando uma úlcera pequena dentro de 1 a 2 meses. Nesta situação há uma hiperplasia e hipertrofia do SER local, edema e hipertrofia no epitélio circundante. Pode haver ou não adenopatia satélite, com febre. Essa lesão pode permanecer em estado crônico por meses, curar-se espontaneamente, ou então evoluir de duas maneiras: a úlcera inicial, que contém grande número de parasitos, torna-se necrosada, dando a úlcera leishmaniótica típica, ou então, não se necrosa e o nódulo inicial evolui para lesões verrucosas e papilomatosas (formas vegetativas)

Diagnóstico

1. Clínico – O aspecto das lesões cutâneas, associado à deformação nasal (nariz de anta) ou destruição da região nasofaringeana, além da história do paciente (trabalhador de florestas, etc.), são bastante indicativos de L. braziliensis. Entretanto deve ser feito diagnóstico diferencial com a úlcera tropical e algumas micoses, pela demonstração do agente etiológico.

2. Laboratorial – Pela pesquisa do parasito ou reações imunológicas.

A pesquisa do parasito pode ser feita a borda das úlceras cutâneas, nos linfonodos infartados ou nas lesões das mucosas.

3. As reações imunológicas mais usadas são:

Teste intradérmico ou intradermorreação de Montenegro - é a mais utilizada no diagnóstico da leishmaniose tegumentar. Permanece positiva por longo tempo, mesmo depois de as pessoas estarem curadas.

Imunofluorescência indireta – esse método apresenta alta sensibilidade, mas distingue as duas leishmanioses.

Profilaxia

Combater o vetor e tratar os doentes.

Não dormir dentro de matas ou grutas, pois o hematofagismo do flebotomo é principalmente crepuscular e noturno.

Construir casas ou acampamentos de trabalhadores em derrubada de mata há uma distância mínima de 500m da orla da mesma, pois o Lutzomyia é fraco e voa pouco.

2. Doença de Chagas

A doença de Chagas humana é uma doença intimamente ligada ao status social do homem e constitui, especialmente no Brasil, um dos problemas médicos sociais mais graves. O protozoário causador foi descrito por Carlos Chagas em 1909.

Nessa parasitose deve ser ressaltado o extraordinário feito de Carlos Chagas, uma vez que descobriu o agente etiológico e descreveu-o, e descobriu os transmissores e os reservatórios domésticos e silvestres e ainda parte da patogenia e da sintomatologia.

Transmissão – A maneira usual de transmissão que tem importância epidemiológica é através da penetração do parasito presente nas fezes ou urina de triatomíneos (barbeiros).

Outros mecanismos de transmissão que podem ocorre são:

Transfusão sanguínea;

Transmissão congênita;

Acidentes de laboratório que podem ocorrer entre pesquisadores e técnicos;

Amamentação;

Sexo (o parasito já foi encontrado em esperma de animais);

Caçadores manuseando animais (tatu, gambás) recém abatidos

Patogenia – Há uma interação de fatores levando a respostas, sintomas ou lesões diferentes nos pacientes quer seja na fase aguda, quer na crônica.

Diagnóstico

Clínico – A origem do paciente, a presença do sinal de Romaña (fase aguda), as alterações cardíacas, esofagianas ou cólicas podem levar a um diagnóstico clínico.

Laboratorial – Os métodos de diagnóstico apresentam diferentes resultados, conforme sejam aplicados em pacientes na fase aguda ou crônica. Assim, para cada fase da doença existe um ou mais métodos que funcionam melhor.

Pesquisa do parasito;

Sorológico.

Profilaxia

Está intimamente ligada à melhoria das condições de vida, bem como a modificação do hábito secular de destruição da fauna e da flora.

Melhoria das habitações rurais;

Combate ao barbeiro;

Controle do doador de sangue.

3. Malária

A malária é uma das doenças parasitárias que maior dano já causou a milhões de pessoas nas regiões tropicais e subtropicais do globo. O impacto social, econômico e político dessa doença sobre a humanidade foi severo, durante vários séculos.

É provocado no Brasil por três espécies do gênero Plasmodium: P. vivax causador da terçã benigna; P. falciparum, agente da terçã maligna e P. malariae responsável pela quartã benigna. O P. ovale, que também causa terçã benigna, não existe no Brasil, mas apenas na África.

Transmissão – Ocorre pela inoculação de esporozoíto durante a picada de mosquitos fêmeas do gênero Anopheles. A transmissão congênita, apesar de muito rara, pode ocorrer. Outro mecanismo possível de transmissão é através de transfusão de sangue de doadores na fase crônica, sem sintomatologia aparente.

Patogenia – As três espécies de Plasmodium que ocorrem no Brasil possuem patogenicidade diferente, e apenas o P. falciparum, causador da terçã maligna, é capaz de levar o paciente à morte. Além disso, essa espécie possui cepas resistentes aos medicamentos usuais, de letalidade mais elevada.

As alterações mais frequentes na malária são: o acesso malárico (calafrio, calor e suor), a anemia e o pigmento (depositado em vários órgãos, dando aos mesmos uma cor escura).

Diagnóstico

Clínico – A anamnese, o tipo de acesso, a anemia e a esplenomegalia, bem como a resposta à tentativa terapêutica.

Laboratorial – A necessidade de identificar a espécie do parasito reside no fato de que a terapêutica é especifica e, quanto mais precoce, melhor.

Profilaxia

Pode ser de cunho individual ou coletivo (regional).

Individual – Visa proteger o individuo contra as picadas do inseto, ou pelo uso de quimioprofiláticos, impedir o aparecimento das manifestações clínicas. Uso de repelentes, mosquiteiros e telas nas janelas.

Coletivo - É o método recomendado pela OMS, realizado em duas etapas: Controle e erradicação. O controle visa diminuir a incidência da malária na região, e a erradicação, extingui-la.

4. Filariose

A Wuchereria bancrofti é de larga distribuição geográfica, acentuando-se o Extremo Oriente, Ilhas do pacífico, Índia e África. No Brasil, é encontrada nos seguintes Estados: Amazonas, Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Santa Catarina. Os focos são urbanos.

Transmissão – Unicamente pela deposição das larvas infectantes na pele das pessoas. Um mosquito (do gênero Culex e/ou Aedes), ao aproximar sua probóscida do hospedeiro, deixa escapar as larvas filarióides. Parece que o estimulo que provoca a saída das larvas da probóscida do mosquito é o calor emanado do corpo humano. A pele, estando úmida (suor e umidade relativa do ar alta), permite a progressão e penetração das larvas.

Patogenia – As microfilárias não são patogênicas e a presença dos vermes adultos frequentemente passa despercebida.

Quando ocorrem alterações, essas se devem aos vermes adultos. São de decurso longo e podem apresentar desde uma pequena estase linfática até a elefantíase bancroftiana. As lesões surgidas são devidas a dois fatores principais: mecânicos e irritativos.

Ação mecânica. A presença de uma ou várias filarias adultas dentro de um vaso linfático pode provocar a obstrução do mesmo causando os seguintes distúrbios:

Estase linfática ou linfagiectasia (endurecimento dos vasos linfáticos).

Derramamento linfático ou linforragia.

Ação irritativa. A presença dos vermes dentro dos vasos, bem como dos produtos oriundos do seu metabolismo e desintegração após a morte do helminto, provoca fenômenos inflamatórios. Em consequência, teremos a linfagite (inflamação dos vasos) e linfadenite (inflamação dos linfonodos). Frequentemente aparecem fenômenos alérgicos, tais como urticárias e edemas extrafocais.

Devido a esses dois modos de ação (mecânica e irritativa), em alguns casos crônicos (8 a 10 anos de parasitismo) pode surgir a síndrome conhecida como elefantíase. Esta síndrome pode ter outras causas que não a Wuchereria bancrofti (lepra, estafilococcias ou outra causa que perturbe continuadamente o fluxo linfático). A elefantíase caracteriza-se por:

Linfagite

Linfagiectasia

Edema linfático

Esclerose da derme

Hipertrofia da epiderme

Aumento do volume do órgão (principalmente pernas, escroto, vulva ou mamas).

Diagnóstico

Clinico – É muito difícil de ser feito devido à semelhança das alterações provocadas pela W. bancrofti e as de outros agentes etiológicos parecidos. Entretanto, no período pré-patente ou nos quadros de elefantíase avançada, o diagnóstico clínico, associado ao levantamento epidemiológico do caso, é o único recurso.

Laboratorial – Pode-se fazer biópsia de algum linfonodo infartado e encontro do parasito. Entretanto, o método mais utilizado é a pesquisa das microfilárias no sangue periférico.

Profilaxia

É baseada em dois pontos básicos, ou seja, tratamento de todas as pessoas positivas e combate ao inseto vetor.

A primeira medida consegue-se em vista da excelente ação medicamentosa do dietilcarbamazina. Em algumas localidades conseguiu-se reduzir sensivelmente essa parasitose por conta da administração desse medicamento de forma preventiva a toda população da zona endêmica, sem fazer-se previamente esfregaços sanguíneos para indicação dos positivos.

O controle do inseto é difícil, mas, dependendo da região, pode-se tentar exterminar as larvas e os adultos. Há necessidade de grande colaboração da população, pois apesar dos insetos voarem 2 a 3 quilômetros, a maioria dos criadouros são poças de água poluídas peridomiciliares. Contra as larvas pode-se usar óleo queimado, furar latas os pneus velhos cheios d’água ou usar larvicida.


Fonte: NEVES, D.P. Parasitologia Humana. 5 ed. Rio de Janeiro, Atheneu, 1982.

Jaciene Santos é Bióloga

com especialização em Genética.



4ª Conversa Afinada, 09/10/2011



sábado, 5 de novembro de 2011

MEIO AMBIENTE X QUALIDADE DE VIDA - PARTE I

APRESENTAÇÃO

Por Josiany Dórea

A nossa terceira Conversa Afinada foi realizada no dia 18 de Setembro e a quarta Conversa no dia 09 de Outubro, tendo como objetivo principal nos proporcionar uma maior consciência sobre o meio ambiente.

Virgínia e Jaciene apresentaram sobre o complexo tema, explanando alguns aspectos relevantes sobre a qualidade de vida e o ambiente em que vivemos. Elas nos alertaram sobre a importância de mudarmos nossos hábitos e costumes cotidianos a favor do meio ambiente, que muitas vezes ocorrem despercebidos diante da agitada vida moderna.

Observamos que pequenas mudanças fazem a diferença. A necessidade de cuidarmos do nosso planeta está cada vez mais evidente diante da degradação à natureza. É muito fácil entendermos essa lógica: para uma ação, uma reação. Isso acontece em toda a dinâmica da vida. Para cada escolha que fazemos teremos uma consequência positiva ou negativa. Assim também acontece com o nosso planeta.

Uns dos principais temas abordados foram: desmatamento florestal, saneamento básico, escassez da água, lixo, as doenças provadas pelos desmatamentos e falta de saneamento básico, sustentabilidade e a Permacultura.

Vale destacar, a explanação sobre os Rios de Salvador, promovendo uma rápida passagem sobre o tema, que nos forneceu informações sobre a poluição aos rios. Percebemos que, alguns rios em Salvador, como por exemplo, Rio das Pedras, Trobogy-Jaguaribe, Paraguari, Camurugipe e seus afluentes, ou desapareceram, como os vários cursos de água na área da Avenida Paralela, ou foram transformados em canais de esgotos e confinados, na maior parte do seu trajeto, em galerias subterrâneas como os rios das Tripas e Lucaia.

Vale ressaltar um pouco a história dos rios que passam pela Paralela, conhecido como Rio das Pedras, foi dividido pela Avenida Luís Viana Filho (Paralela) e suas nascentes, nos fundos do quartel do 19º BC do Exército, no Cabula, só resistem devido à presença da unidade militar, que mantém preservada a mata em volta do quartel, usada como campo de treinamento. Contudo, a partir do Imbuí até desembocar na Praia da Boca do Rio, o rio alterna trechos de alta poluição, com outros que ainda oferecem condições de vida para a fauna e flora. Na área que vai do Imbuí até Mussurunga, margeando a Avenida Paralela, vários pequenos rios foram represados e transformados em lagoas, destaque para o Rio Trobogy, que nasce em Águas Claras com o nome de Cascão, sendo denominado Jaguaribe quando atinge a orla, na altura de Piatã.

Outro fator importante que merece nossa atenção é sobre o consumo da água. Precisamos valorizar mais as gotas de água que desperdiçamos, pois, no futuro bem próximo, vamos sofre as consequências. Existem alguns países que já estão sentindo o impacto da falta d’água.

E quanto a Sustentabilidade que sempre consideramos como um problema do outro, do vizinho ao lado, das instituições sociais e do governo. Será que também não temos que fazer a nossa parte?

Outro tema bastante relevante foi a explanação sobre as doenças provocadas pela falta de saneamento básico e pelo desmatamento florestal. Precisamos ter muita atenção com o nosso ambiente. Aprendemos que para viajarmos em lugares que possuía mata atlântica é necessário usar um protetor para evitar picadas de insetos que venham mais tarde ocasionar doenças irreversíveis.

Sabemos que o dia da conscientização ao meio ambiente é comemorado em cinco de junho. Contudo, precisamos a todo o momento estarmos nos lembrando da importância da conservação do nosso planeta.

Agradecemos as presenças das nossas convidadas especiais na terceira Conversa Afinada, Karole Pereira, Rafaela Barros e Rosângela Maria.

E para finalizar, expresso aqui à mensagem construída pelo filósofo Confúcio: “Se você tem metas para um ano. Plante arroz. Se você tem metas para 10 anos. Plante uma árvore. Se você tem metas para 100 anos, então eduque uma criança. Se você tem metas para 1000 anos, então preserve o meio Ambiente”.


MEIO AMBIENTE x QUALIDADE DE VIDA


Por Virgínia Teixeira Oliveira

O consumo exacerbado que perpassa nossa sociedade está levando o planeta a uma situação crítica, pois o que observamos é a degradação ambiental de várias formas: poluição, efeito estufa, aquecimento global dentre outros. O que acarreta também na qualidade de vida da população, uma vez que um ambiente degradado torna os recursos escassos. Quando se é possível fazer uso dos mesmos, respeitando o modo de vida da natureza, almejando assim, uma vida sustentável.

Essa sustentabilidade que tanto ouvimos falar permite que as nossas demandas, sejam elas sociais, econômicas ou ambientais, possam ser atendidas sem contudo, prejudicar o ambiente em que vivemos, garantindo também o acesso das gerações futuras aos recursos oferecidos pela natureza.

Nessa perspectiva, surge também a Permacultura, que foi desenvolvida pelos australianos Bill Mollison e David Holmgren ou “agricultura permanente”, tendo seu conceito ampliado para “cultura permanente”, pois abrange várias áreas de conhecimento, à medida que possibilita criar sistemas ecologicamente corretos e economicamente viáveis, através de energias limpas, da captação e do uso responsável da água potável, da construção de edificações naturais para a moradia e a reciclagem dos resíduos, suprindo nossas necessidades sem explorar ou poluir o meio ambiente, tornando-o sustentável.

Vale salientar também os princípios éticos da Permacultura, como: cuidar da terra, respeitando os seres vivos e não vivos, cuidar das pessoas garantindo o acesso de todos aos recursos naturais e a distribuição equitativa dos recursos, partilhando o que temos além de nossa necessidade. Sendo assim, faz-se necessário que as pessoas não fiquem apenas na teoria e comecem a mudar verdadeiramente seus hábitos.

Símbolo da Permacultura e seu significado

Segundo Bill Mollison o desenho oval representa o ovo da vida;

aquela quantidade de vida que não pode ser criada ou destruída, mas que é expressa e emanada de todas as coisas vivas. Dentro do ovo esta enrolada a serpente do arco-íris, a formadora da terra dos povos aborígines americanos e australianos.

O símbolo inteiro, e o ciclo que representa, é dedicado à complexidade da vida no Planeta Terra. Dentro do corpo da serpente esta contida a árvore da vida, a qual expressa os padrões gerais da vida. Suas raízes estão na terra e sua copa na chuva, luz, no Sol e no vento.


Conceito retirado do site: www.permaculturabr.ning.com


Virgínia Teixeira Oliveira

é graduada em Pedagogia



3ª Converda Afinada, 18/09/2011


domingo, 2 de outubro de 2011

ENTREVISTA COM HILSON CORDEIRO - HEPATITE C

Por Josiany Dórea

Na dinâmica do nosso dia, nem sempre percebemos as alterações que ocorrem em nosso corpo. Podemos ser acometidos por sintomas mais acentuados ou não. Também ocorre a possibilidade das doenças se manifestarem sem ocasionar nenhum sintoma. São chamadas de doenças silenciosas. Elas aparecem e, na maioria das vezes, por falta de informação, não sabemos como agir. Demoramos em procurar ajuda de um profissional especializado.

A única forma de prevenção é através das informações seguras. Desta forma, resolvemos acrescentar em nosso Insight Filosófico mais uma informação e alerta sobre uma doença que também precisa de nossa total atenção: é a Hepatite. Ela possui tratamentos e precisa de um olhar mais atencioso para ajudarmos os portadores e seus familiares.

A Hepatite é uma doença caracterizada por uma inflamação do fígado. Há vários tipos de Hepatites. As mais comuns são as virais: tipo A, B e C.

A Hepatite A dura mais de uma semana ou meses e não transforma em infecção crônica. É transmitida por água e alimentos contaminados ou de uma pessoa para outra; a doença fica incubada entre 10 e 50 dias.

Hepatite B é transmitida através do parto, por injeções contaminadas e pacientes submetidos ao material cirúrgico contaminado e não-descartável; drogas injetáveis e relação sexual. Existe vacina na rede pública para pessoas com até 24 anos.

Hepatite C é o tipo mais grave. É transmitido através da corrente sanguínea. Age de forma silenciosa e a maioria das pessoas só descobre com 20 ou 30 anos depois de ter sido infectado. Esse tipo de Hepatite não tem vacina.

A prevenção é feita evitando-se o uso de materiais cortantes ou agulhas que não estejam devidamente esterilizadas. Recomenda-se o uso de descartáveis de uso único, bem como material próprio em manicures. A esterilização destes materiais é possível, porém não há controle e as pessoas que ‘dizem’ que esterilizam não tem o preparo necessário para fazer uma esterilização real.

Observa-se que a maioria das pessoas apenas se preocupa com o alicate e esquece que é necessário levar o kit completo de manicures com todos os acessórios, entre eles, estão o esmalte, a toalha, o removedor de esmaltes e a espátula. Não esquecendo também da depilação em geral, sobrancelhas e barbas. Lembre-se sempre devemos levar nosso Kit pessoal para o salão de beleza.

Ressaltamos que segundo o portal da Hepatite, em 2008 foi fundado o Dia Mundial da Hepatite e desde então mais de 600 eventos tiveram lugar em todo o mundo no dia 19 de maio, gerando grande público e interesse da mídia. Contudo, a Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2010, foi acordada que Dia Mundial da Hepatite seria reconhecido anualmente, em 28 de julho. Ficando assim oficializado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O importante é saber que a data promove o dia da consciência coletiva para a prevenção, informação e combate a Hepatite.

Para esclarecer um pouco sobre a Hepatite C buscamos informações através de uma breve entrevista, por e-mail com o Sr. Hilson Cordeiro, vice-presidente do Grupo de apoio aos portadores da doença, denominado de “Vontade de Viver”. Vejamos:

[Josiany] 01. Sabemos que a Hepatite tipo C é causada por um vírus transmitido, principalmente, pelo sangue contaminado. O Senhor pode nos contar um pouco sobre sua história: como se desenvolveu a doença e como foi diagnosticada?

[Hilson] Bem, a minha história começa com a descoberta em um exame periódico na RLAM {Nota JD: Refinaria Landulfo Alves/Petrobrás-BA}, o marcador GGT (Gama GT) apresentando valor acima do limite de controle desta enzima. então num verdadeiro surto de falta de conhecimento da doença, fui logo encaminhado a uma clínica de Gastro / Hepato em Salvador para ser diagnosticado e tratado. Nesta Clínica, fui acompanhado por dez anos e sendo tratado como portador de uma Hepatite Tóxica. Talvez devido o meu contato direto com hidrocarbonetos, após três meses de aposentado por tempo de serviço, em mais um periódico com meu médico particular, acusei um cansaço constante e muita fadiga, sem condições de nem mesmo lavar o meu carro, a impressão era que carregava o mundo nas costas. Bem, solicitei ao meu médico que incluísse nos meus exames a testagem para as hepatites e para a minha surpresa o resultado do exame acusou Hepatite C. Como o meu médico clínico não entendia nada de Hepatite, me encaminhou ao Dr. Raymundo Paraná o qual após outros exames confirmou ser mesmo uma Hepatite C genótipo 1b.

[Josiany] 02. O tratamento de Hepatite tipo C vem alcançando resultados progressivos. No período de seu tratamento quais foram os recursos utilizados para sua recuperação?

[Hilson] Os recursos utilizados naquela época (ano de1999) eram Ribavirina com uso de 4 comprimidos ao dia e Interferon Alfa dia sim, dia não.

[Josiany] 03. O portador da Hepatite tipo C precisa saber que vai conviver durante muitos anos com a doença, então é preciso fazer com que sua vida seja melhor possível. De que forma os portadores podem se adaptar e conviver melhor com a doença?

[Hilson] Com relação a sua primeira afirmação sobre a convivência com o vírus C, temos duas vertentes; a primeira é que a Hepatite C tem CURA, isto fica a depender de vários fatores. O paciente que não obteve a cura no primeiro tratamento poderá fazer outro com novas drogas e pode vir a ter a cura definitiva. Quanto à adaptação a doença, é ter fé em Deus em primeiro lugar e em seguida ter Vontade de Viver, confiar no seu médico e não desistir de lutar.

[Josiany] 04. Recentemente, o Senhor concedeu uma entrevista ao Jornal da Manhã da Rede Bahia, e explicou sobre a possibilidade de duas medicações que estão chegando ao mercado. O Sr. já tem mais informações sobre essas medicações?

[Hilson] As duas novas medicações a serem lançadas no mercado são o Boceprevir e o Telaprevi ambos em cápsulas e juntos com a Ribavirina e Interferom Peguilado, entrarão com indicação no tratamento do mal respondedor, genótipo 1. Estas duas medicações elevarão as chances de cura do paciente, segundo informações em até 82% de resultado positivo para cura.

[Josiany] 05. Na entrevista, afirmou que a depressão é um dos agravantes para os portadores da Hepatite tipo C. Que tratamento as pessoas portadoras podem buscar para evitar e/ou amenizar a depressão?

[Hilson] Em primeiro lugar nem todos vão à depressão, mas aqueles que enveredam por este caminho a família têm um papel muito importante na condução deste paciente, pois os familiares devem saber que aquela pessoa não é depressiva, ela está depressiva. Então ela precisa de incentivos para não se afundar na depressão, ou até mesmo procurar um apoio profissional de um Psiquiatra. No HUPES {Nota JD: Hospital Universitário Prof. Edgar Santos/UFBA} temos um departamento de apoio aos portadores do vírus C em tratamento.

[Josiany] 06. A cura é definida pela ausência de vírus no sangue seis meses depois de terminado o tratamento. As chances variam entre 40% a 60%, dependendo do tipo de vírus. O Senhor faz parte desse grupo? Está curado da doença?

[Hilson] A cura é determinada pelo limite de detecção do RNA qualitativo, que por sinal é muito pouco provável que quando o paciente num período de dois anos sem uso da medicação, e vem dando o RNA qualitativo indetectável ele venha ter de volta a presença deste hospede indesejável. Quanto ao percentual o qual você coloca, depende do Genótipo do vírus, pois no Brasil temos três deles ( 1, 2 e 3), sendo o 1 o mais ranheta na cura. Se estou curado? Sim. Pois comecei meu tratamento em maio de 1998 e terminei em maio de 1999 e até hoje continuo indetectável, ou seja, abaixo do limite mínimo de detecção.

[Josiany] 07. Observamos que para a cura e/ou tratamento das doenças crônicas ou não, é muito importante a contribuição da família em seu tratamento. Contudo, nem sempre a família está presente ou, às vezes, acontece da família proteger demasiadamente o portador da doença. Em sua opinião, como deve se comportar os familiares dos portadores da Hepatite C?

[Hilson] Em primeiro lugar se colocando no lugar do paciente. Procurar se informar quais os meios de transmissão, de controle e tratamento, as reações adversas que as medicações usadas pelo paciente poderão apresentar e saber do médico quais as mudanças de comportamento que este paciente poderá apresentar durante o tratamento e de posse destas informações, ai sim, dá o apoio e ter a compreensão de que alguns comportamentos anormais deste paciente não são meramente chilique e sim fruto de um tratamento de Hepatite.

[Josiany] 08. O Senhor faz parte de um grupo Chamado “Vontade de Viver” e atua como vice- presidente. Quando foi fundado esse grupo? Qual a finalidade? Podemos considerar como um Grupo de Autoajuda?

[Hilson] O Grupo Vontade de Viver foi fundado em 19 de maio de 2002, com oito integrantes, onde a maioria era portador do vírus C, eu já era curado, mas entrei nessa para dá um pouco de mim a quem ainda corria atrás da cura. A Finalidade do G.V.V é fazer vê ao portador das Hepatites Virais que ele não está sozinho, tem um grupo com mais de mil associados, e pessoas na direção deste grupo trabalhando para que todos portadores das Hepatites Virais possam ter o seu tratamento assegurado e de qualidade e também participando junto aos governos tanto Municipal, Estadual e Federal na adoção das políticas públicas para a divulgação, detecção e tratamento das hepatites Virais. Este grupo também poderíamos dizer que é um grupo de auto-ajudar, pois atende ou presencialmente ou por telefone os portadores, ou possíveis portadores das hepatites virais, oferecendo a este portador o ombro amigo, passando a este portador toda sua experiência vivida com a doença, e por fim tentamos melhorar o astral deste paciente com informações seguras e corretas sobre os aspectos da doença.

[Josiany] 09. No dia 28 de julho se comemora o “Dia Mundial de luta contra Hepatite C”. Este ano, como foi comemorando aqui em Salvador essa data? Quais foram às conquistas? E quais são os planos ou metas para o próximo ano?

[Hilson] Como foi o primeiro ano e ficou aberto para as ONGS decidir qual data aderir, e isto enfraqueceu um pouco o movimento, pois tínhamos ONG que aderiu o dia 19 de maio, data antes tida como dia mundial de luta contra a Hepatite C, Outras ONGS aderiram à nova data, 28 de julho como dia Mundial de luta contra as Hepatites Virais. Tivemos eventos realizados pelo Grupo Vontade de Viver na Rodoviária, onde foram colocados folhetos de Hepatites nas poltronas dos ônibus que se dirigiam ao interior do estado e outras capitais do Brasil. outro evento foi a panfletagem com mais de seis mil folhetos distribuídos na porta do Pituba Parck Center no bairro do Itaigara. Quantos as Conquistas estas aparecerão no futuro quando aquele folheto entregue bater na vontade do cidadão e o lavar a fazer o teste e caso positivo dê tempo de se tratar. Também estamos divulgando as Hepatites tornando-a conhecida, saindo do anonimato de uma doença silenciosa e assintomática. Com relação às metas para os próximos anos, é de sempre melhorar este serviço prestado pelo Grupo Vontade de Viver e que o paciente tenha mais rapidez entre a descoberta com o diagnóstico e o tratamento com a cura.

[Josiany] 10. De acordo com a Associação Brasileira de Portadores de Hepatite, temos no Estado da Bahia 150 mil portadores de Hepatite tipo C e 50 mil em Salvador.Que mensagem gostaria de deixar as pessoas que descobre, nesse momento, que são portadoras da Hepatite tipo C.

[Hilson] Cara amiga Any, com relação à Associação Brasileira da qual você fala desconheço este número. Com relação à Salvador e região metropolitana, tenho a informação que em dados de pesquisas feitas pelo Hemoba e UFBA este número de portadores está correto, mas é um dado estatístico, pois a maioria não sabe que é portador, pois não fez o teste. E quanto a mensagem que deixo para esta massa que desconhece, que ignora esta doença silenciosa e em lenta em alguns casos, é que procurem fazer o teste para a Hepatite B (AgHBs) e para a Hepatite C (anti-HCV), e caso o resultado for positivo ou reagente para o Vírus, procurem a nossa ONG que teremos o maior prazer em apoiar e encaminhar ao tratamento com médicos especialista nas Hepatites Virais.

Hison Cordeiro é Vice-Presidente do Grupo Vontade de Viver

www.vontadedeviver.org.br

Tel.: (71) 331-7646 / Salvador-BA